"Às vezes, a
gente precisa fazer coisas ruins para ter resultados bons"
Os fins justificam os meios?
Maria acordou cedo naquele dia.
Estava determinada a conseguir a vaga na empresa de marketing. Tomou banho,
colocou a melhor roupa para o trabalho, tomou um café reforçado e saiu de casa
duas horas antes da entrevista. Ao contrário de Matheus, que fora dormir tarde
e despertou muito depois do despertador. Saiu em disparado pela estrada sem se
preocupar muito com quem por ela passava.
Desesperado para chegar na entrevista
na hora, Matheus repassava em sussurros as habituais perguntas dos seletores.
Devido a isso, não reparou que o sinal estava vermelho e seguiu em frente, chocando-se
com a moto em que Maria estava pegando uma carona. Ensanguentados no chão, Maria
e seu primo queimavam no asfalto quente do início da manhã, Matheus apenas viu
Maria segurando a perna quebrada enquanto passava por eles e ia em direção ao
escritório cerca de quatro quarteirões de distância.
Enquanto Maria estava na fila do hospital
para ser atendida, Matheus conseguira chegar na hora e garantir a vaga de
assistente de editoração na editora. Ao chegar em casa, feliz, sua irmã estava
triste pois o namorado tinha sofrido um acidente de moto no qual o responsável
fugira sem prestar socorro. Ao ir acompanha-la para a visita ao rapaz, Matheus
encontra Maria, com a perna direita imobilizada, e com vários arranhões por
todo o rosto e braços. Ele a reconheceu, ela não.
Naquele dia, além do emprego,
Matheus ganhou também a lição de que nem sempre é preciso fazer coisas ruins
para conseguir algo maior, melhor. Ele conseguira o emprego, mas perdeu uma consciência
tranquila.


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